domingo, 27 de novembro de 2011

72 horas in Clown - Dia 2 - Clown Clownsa

 
Já acordo atrasado para um show que iria na Cinelândia às 13:00. Com as obras aqui em casa e ainda as mil coisas atrasadas a serem resolvidas o nariz era só mais um fardo a ser enfrentado. Já acordei pensando “que saco esse nariz”. Celular descarregado, aula a ser planejada para a manhã do dia seguinte em Niterói, compromissos e a porra do nariz de palhaço.
Me explico: se eu estou de mal humor, ou com alguém que não estou afim, ou com energia pesada e baixa eu simplesmente sigo reclamando ou fingindo que não existo e faço tudo o que tenho de fazer. Mas o nariz simplesmente não me deixa entrar nesse estado. Além de tudo, ainda estou com um nariz de palhaço na cara e todos passam e olham reparando meu mau humor, ou coisa que o valha.
Fui encontrar com uma amiga (não estava com o melhor humor também com relação a ela), perdemos o show atrasados. As pessoas passavam e reparavam mas não tinham reação muito maior que o habitual. Essa amiga adorou a ideia de registrar o palhaço e tudo era motivo de foto. De ponto de ônibus até atravessar a rua. Eu nunca fui fã de fotos e se geralmente o nariz me deixaria de bom humor, caso houvesse outro contexto (ou houvesse algum contexto), esse não me deixava mais simpático. Muitas questões pessoais envolvidas também.
Fomos a uma exposição, e lá dentro nenhuma reação anormal. Depois que percebi que as pessoas poderiam associar o nariz a um defeito físico, sempre parece que talvez seja isso que se dê. Outra teoria é a de que as pessoas simplesmente não se olham no rosto. Pode haver um cara com nariz de palhaço na sua frente e você não irá perceber.
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Ela vai embora e eu vou ler roteiros na ABL enquanto espero para um outro show. Em alguns minutos sai um grupo de estudantes. As reações são quase agressivas. Alunos gritando “ô palhaço!”, mas nenhuma aproximação. A agressividade tomou forma pela primeira vez. Curiosamente não me surpreendi. Preferi ignorar, apenas anotando o que havia ocorrido.
Depois fui para o outro show, encontrando com amigos meus que já haviam me visto na noite anterior no bar. Explico o motivo do nariz pra outros conhecidos e entro no show. Na entrada uma idosa comenta “esse aí tá animado!” pra mim. Durante o show, tiro o nariz. O nariz me tira um tanto da fruição. Me distrai por algum motivo que imagino ser a produção de presença que ele impõe.
videoSaio do show. Estou exausto. No caminho pra casa as mesmas caras. Chego em casa e me tranco no quarto. Vou dormir depois de algumas horas de internet. Penso que poderia ter ficado ou saído pra beber ou qualquer coisa já que meu compromisso do dia seguinte de manhã fora cancelado, mas o nariz me dá uma preguiça de sair e fazer qualquer coisa. Caso eu pretenda fazer algo, terá de ser com o nariz.


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